Notícia
23 de out de 2026
Vacina personalizada de mRNA representa um avanço para o melanoma — mas seu potencial ainda não foi comprovado
Um ensaio de fase III sugere que uma vacina personalizada de mRNA pode reduzir acentuadamente a recorrência do melanoma quando combinada com Keytruda, embora os pesquisadores alertem que a sobrevida a longo prazo, o acesso e a aprovação regulatória continuem sem solução.
Os resultados mais recentes sobre a vacina contra o melanoma oferecem uma rara combinação de avanço e cautela: um tratamento personalizado de mRNA reduziu o risco de recorrência ou morte, mas ainda não comprovou que os pacientes viverão mais tempo.
O ensaio de fase III liderado pela Austrália envolveu 1.137 pessoas cujo melanoma de alto risco havia sido removido cirurgicamente. Todas receberam pembrolizumabe, comercializado como Keytruda, enquanto algumas também receberam intismerana, uma vacina desenvolvida com base em mutações exclusivas do tumor de cada paciente. Após dois anos, 82% dos pacientes que receberam a combinação estavam vivos e sem recorrência, em comparação com 70% dos que receberam apenas pembrolizumabe. A combinação reduziu em 42% o risco de recorrência ou morte.1
Os defensores descrevem os resultados como um grande avanço na oncologia de precisão. Georgina Long afirmou que eles representavam “uma mudança fundamental em nossa abordagem ao câncer”, enquanto a pesquisadora externa Jessamy Tiffen disse que a “natureza profundamente personalizada” da vacina era “verdadeiramente notável”. Diferentemente das terapias voltadas para uma única mutação, a vacina pode atingir até 34 mutações em um tumor individual, treinando o sistema imunológico para reconhecer e destruir células cancerosas.1
A formulação mais cautelosa é mais comedida, apresentando o tratamento principalmente como uma nova vacina que reduz as chances de os tumores de melanoma voltarem, e não como uma cura definitiva.2 Essa distinção é importante. Os pesquisadores afirmam que uma parcela significativa dos pacientes não responde inicialmente, que as células cancerosas podem se adaptar e que ainda é cedo demais para determinar se o regime melhora a sobrevida a longo prazo.1
Os resultados foram aceitos para publicação no New England Journal of Medicine, mas ainda serão submetidos à revisão por pares e à análise regulatória. A utilização mais ampla pode levar anos, e são necessárias mais pesquisas para determinar se a abordagem funciona em pacientes com câncer visível ou naqueles que não respondem ao pembrolizumabe.